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waleskazibetti - 238 posts

Latest #waleskazibetti Posts

  • Estou na estrada olhando árvores, carros, céus passarem por mim. Sinto-me tão leve que poderia voar. Finalmente ele está morto. Recuperei meu humor e novas expectativas crescem em volta da dor. Olhando bem, tudo anunciava no fim. Ele é uma farsa vestida de terno e mansidão , escondido num discurso bíblico hipócrita como a maioria dos de sua espécie. Eu... Eu sou louca liberdade, filha da luxúria com o vento,  bebo, canto, fodo, vivo. Sou o que ele intitula de vadia e quer e ele é o que eu intitulo de covarde e repudio. Vai sempre ter essa aquela vidinha de penitência cristã, enquanto eu vou pro mundo como libera pagã. Estou na estrada. Subindo a serra. Indo em frente. Espero que ele um dia crie essa coragem e consiga ir também. Não nos encontraremos mais. glória  a Deus por isso, não é? Mas de vez em quando, um lembrará do outro. Eu vou cantar um dos meus rocks ou blues ou dedicar a ele algum momento embaixo dos lençóis entre ideias e gemidos. Se é que me entendem?  E ele, coitado, ao lembrar de mim, terá que se trancar no banheiro com uma boa desculpa para dar a ela pela demora no chuveiro e dizer o meu nome baixinho para ninguém saber do seu pecado.
(Waleska Zibetti, in "O Pastor e Desgarrada") Você  pode comprar um exemplar do meu livro "Contos de Boteco" acessando o link da bio.

#literaturabrasileira #conto #contos #cotidiano #cronicas #waleskazibetti #citações #reflexão #pensamentos #livro #poesias #versos #riodasostras #riodejaneiro #brasil #literatura #amor #vida #inspirações #amor #literaturanacional #ideias #novo #frases #literatura #vida #sentimento #caixadepoetas  #autora #textosautorais #escritora
  • Estou na estrada olhando árvores, carros, céus passarem por mim. Sinto-me tão leve que poderia voar. Finalmente ele está morto. Recuperei meu humor e novas expectativas crescem em volta da dor. Olhando bem, tudo anunciava no fim. Ele é uma farsa vestida de terno e mansidão , escondido num discurso bíblico hipócrita como a maioria dos de sua espécie. Eu... Eu sou louca liberdade, filha da luxúria com o vento, bebo, canto, fodo, vivo. Sou o que ele intitula de vadia e quer e ele é o que eu intitulo de covarde e repudio. Vai sempre ter essa aquela vidinha de penitência cristã, enquanto eu vou pro mundo como libera pagã. Estou na estrada. Subindo a serra. Indo em frente. Espero que ele um dia crie essa coragem e consiga ir também. Não nos encontraremos mais. glória a Deus por isso, não é? Mas de vez em quando, um lembrará do outro. Eu vou cantar um dos meus rocks ou blues ou dedicar a ele algum momento embaixo dos lençóis entre ideias e gemidos. Se é que me entendem? E ele, coitado, ao lembrar de mim, terá que se trancar no banheiro com uma boa desculpa para dar a ela pela demora no chuveiro e dizer o meu nome baixinho para ninguém saber do seu pecado.
    (Waleska Zibetti, in "O Pastor e Desgarrada") Você pode comprar um exemplar do meu livro "Contos de Boteco" acessando o link da bio.

    #literaturabrasileira #conto #contos #cotidiano #cronicas #waleskazibetti #citações #reflexão #pensamentos #livro #poesias #versos #riodasostras #riodejaneiro #brasil #literatura #amor #vida #inspirações #amor #literaturanacional #ideias #novo #frases #literatura #vida #sentimento #caixadepoetas #autora #textosautorais #escritora
  •  20  0  7 June, 2019
  • As vezes passo por aqui como uma viajante perdida que encontra uma casa desabitada e pensa em descansar. Retira um ou outro lençol velho e empoeirado que cobre a mobília e se senta imaginando a história daquele lugar. É claro que conheço a história! Toda ela. A passada com correrias, fugas, paixões, decepções, frustrações... A presente tão cheia de abandono e pouca vontade de tudo... de mim... dela. Respirar fundo o cheiro bolorento desse lugar e procurar por algum perfume de esperança entre os destroços. Houve um tempo que... Bom, houve... Não há mais! O que há é esse resto de tudo. Estou sempre ruindo como essa velha casa e meus velhos hábitos. A noite está caindo rápido e não enxergo mais as linhas onde isso se espalha. Sinto que algumas palavras caíram no chão, rolaram para baixo do sofá ou para o sub-pensamento onde ficam escondidos os grilos que cantam camuflados de "vai dar certo". Se eu abrir a janela poderei ver o cinza da noite outonal proibindo as estrelas de saírem. Sinto falta de algo aqui. Linearidade não é, porque nunca tive. Concatenação também não é meu forte. Música! Falta música! Preciso que ouçam as vozes da minha cabeça. Assim entenderão melhor, mais. Isso! Entenderão mais! Eurielle... Ouçam! Ela canta para mim  agora. Deixem ela cantar, enquanto eu adormeço um pouco... Hate me, break me... let me feel as hurt as you...
(Waleska Zibetti,  in "A Viajante") Você  pode comprar um exemplar do meu livro "Contos de Boteco" acessando o link da bio.

#literaturabrasileira #conto #contos #cotidiano #cronicas #waleskazibetti #citações #reflexão #pensamentos #livro #poesias #versos #riodasostras #riodejaneiro #brasil #literatura #amor #vida
  • As vezes passo por aqui como uma viajante perdida que encontra uma casa desabitada e pensa em descansar. Retira um ou outro lençol velho e empoeirado que cobre a mobília e se senta imaginando a história daquele lugar. É claro que conheço a história! Toda ela. A passada com correrias, fugas, paixões, decepções, frustrações... A presente tão cheia de abandono e pouca vontade de tudo... de mim... dela. Respirar fundo o cheiro bolorento desse lugar e procurar por algum perfume de esperança entre os destroços. Houve um tempo que... Bom, houve... Não há mais! O que há é esse resto de tudo. Estou sempre ruindo como essa velha casa e meus velhos hábitos. A noite está caindo rápido e não enxergo mais as linhas onde isso se espalha. Sinto que algumas palavras caíram no chão, rolaram para baixo do sofá ou para o sub-pensamento onde ficam escondidos os grilos que cantam camuflados de "vai dar certo". Se eu abrir a janela poderei ver o cinza da noite outonal proibindo as estrelas de saírem. Sinto falta de algo aqui. Linearidade não é, porque nunca tive. Concatenação também não é meu forte. Música! Falta música! Preciso que ouçam as vozes da minha cabeça. Assim entenderão melhor, mais. Isso! Entenderão mais! Eurielle... Ouçam! Ela canta para mim agora. Deixem ela cantar, enquanto eu adormeço um pouco... Hate me, break me... let me feel as hurt as you...
    (Waleska Zibetti, in "A Viajante") Você pode comprar um exemplar do meu livro "Contos de Boteco" acessando o link da bio.

    #literaturabrasileira #conto #contos #cotidiano #cronicas #waleskazibetti #citações #reflexão #pensamentos #livro #poesias #versos #riodasostras #riodejaneiro #brasil #literatura #amor #vida
  •  16  0  5 June, 2019
  • Oi. Tudo bem?

Ando meio nostálgica. Estou até ouvindo Oswaldo Montenegro (Agora "Taxímetro". É  bom lhe marcar no meu tempo. Lhe sinto mais perto)  Motivo desse meu momento? Acho que é a lua ou a junção de Vênus com Netuno (Esse último ponto eu inventei. Não faço a menor ideia de onde está Vênus, e se Netuno não estiver cuidando do mar: fodeu!). Na verdade não sei o meu porquê nesse momento. Tudo que sei é que estou. E é tão  chato! Já  até escrevi uma carta hoje. Acredita? Uma carta... Para mim, hoje, carta é  o ápice da nostalgia.

Acho que sinto falta daquele tempo onde a paciência era mais possível. Rs... Éramos jovens e o peso das merdas feitas não afetariam nada além do boletim. Sinto falta do tempo que a coisa mais perigosa que tínhamos escondido era um sarro no muro da escola. 
Talvez a culpa seja dos meus cabelos que deixei branquear de vez.  Sei lá!  Pintar os cabelos me pareceu uma luta insana contra o tempo.  E consequentemente uma luta insana contra tudo  que vivi. O tempo não  pára, não é?  Nós cantávamos isso sem ter a real noção do peso dessa verdade. 
Eu olhei umas fotos antigas. Não  faço  ideia de onde está meu irmão.  Por que eu me permiti perdê-lo? Aliás,  por que permiti tanto adeus ao longo da vida!? E  repente dar adeus seja o check point para o novo passo evolutivo. 
Estou perdida. Dolorosamente perdida. Não  faço  a menor ideia de como me encontrar. Me perdi até  mesmo nessa coisa aqui. Queria ser criança, me sentar abraçada aos joelhos e gritar por minha mãe. Mas agora eu sei que não  tenho mãe. Ninguém viria pegar minhas mãos e me levar. O tempo realmente não  parou e inevitavelmente eu cresci. 
Então, é isso! Estou nostalgica como uma canção de bolero, como uma tarde de chuva no meio do inverno, como um velho olhando mar. Estou nostalgica e tudo que tenho para acalmar essa vontade louca de chorar, chorar, chorar... e me afundar em mim e  nessa carta que você  leu e vai esquecer por aí. Acho que é  por isso que a escrevi. Depois de esquecida a carta representará exatamente como estou me sentindo agora:  um pedaço de qualquer coisa que foi esquecido por aí. (Continua...)
  • Oi. Tudo bem?

    Ando meio nostálgica. Estou até ouvindo Oswaldo Montenegro (Agora "Taxímetro". É bom lhe marcar no meu tempo. Lhe sinto mais perto) Motivo desse meu momento? Acho que é a lua ou a junção de Vênus com Netuno (Esse último ponto eu inventei. Não faço a menor ideia de onde está Vênus, e se Netuno não estiver cuidando do mar: fodeu!). Na verdade não sei o meu porquê nesse momento. Tudo que sei é que estou. E é tão chato! Já até escrevi uma carta hoje. Acredita? Uma carta... Para mim, hoje, carta é o ápice da nostalgia.

    Acho que sinto falta daquele tempo onde a paciência era mais possível. Rs... Éramos jovens e o peso das merdas feitas não afetariam nada além do boletim. Sinto falta do tempo que a coisa mais perigosa que tínhamos escondido era um sarro no muro da escola.
    Talvez a culpa seja dos meus cabelos que deixei branquear de vez. Sei lá! Pintar os cabelos me pareceu uma luta insana contra o tempo. E consequentemente uma luta insana contra tudo que vivi. O tempo não pára, não é? Nós cantávamos isso sem ter a real noção do peso dessa verdade.
    Eu olhei umas fotos antigas. Não faço ideia de onde está meu irmão. Por que eu me permiti perdê-lo? Aliás, por que permiti tanto adeus ao longo da vida!? E repente dar adeus seja o check point para o novo passo evolutivo.
    Estou perdida. Dolorosamente perdida. Não faço a menor ideia de como me encontrar. Me perdi até mesmo nessa coisa aqui. Queria ser criança, me sentar abraçada aos joelhos e gritar por minha mãe. Mas agora eu sei que não tenho mãe. Ninguém viria pegar minhas mãos e me levar. O tempo realmente não parou e inevitavelmente eu cresci.
    Então, é isso! Estou nostalgica como uma canção de bolero, como uma tarde de chuva no meio do inverno, como um velho olhando mar. Estou nostalgica e tudo que tenho para acalmar essa vontade louca de chorar, chorar, chorar... e me afundar em mim e nessa carta que você leu e vai esquecer por aí. Acho que é por isso que a escrevi. Depois de esquecida a carta representará exatamente como estou me sentindo agora: um pedaço de qualquer coisa que foi esquecido por aí. (Continua...)
  •  22  2  5 June, 2019
  • Nunca fui bonita e delicada. Sempre olhei as meninas de minha idade tão  delicadas e frágeis em seus vestinhos rosa cintado e eu tão desengonçada nos jeans largos e camisetas. As achava tão  lindas com suas conversas cheia de risinhos contidos e rostos que coravam de repente. Eu quando ria, e isso era raro como se eu tivesse vergonha do próprio riso, era uma gargalhada bruta com um tom de deboche pela vida. Elas passavam em grupos cheirosas compartilhando versinhos e segredos nos caderninhos decorados. Eu me escondia na escadaria da escola com algum livro que roubava das prateleiras altas da estante do meu pai. (Era lá  que ficava, muitas vezes por detrás de uma outra pilha de livros,  os proibidos, os que eu mais gostava de ler). Elas, as meninas bonitas, nunca gostavam de fazer trabalho de grupo comigo.  E eu sempre acabava tendo que fazer sozinha com os meninos que não  gostavam de estudar. O bom é  que no final, tirávamos notas boas e os meninos que sem mim nunca tirariam aquela nota, numa forma de gratidão, me ensinavam a arte de andar pelas ruas sem medo e a bater em quem tentasse abusar de mim. 
E eu fui crescendo assim abrutalhada. Nunca soube andar de salto ou usar maquiagens. Nunca entendi de combinações de cores e usar preto é sempre minha maneira de não errar.  Não  sei decorar a casa. Tudo fica limpo, mas sempre há um livro, um caderno, um post it, uma caneta fora do lugar.  A mim não incomoda, porque sei que meus pensamentos vêm num momento inesperado e não  posso perdê-los na confusão que é  minha cabeça. Também não  sei vestir vestidos, o que para mim é  o máximo da feminilidade,  fico parecendo um desses bujões de gás  que colocam capa. Eu sento de pernas abertas, sem postura e elegância. Sou toda atrapalhada e estabanada.

E fico ollhando do meu mundo as moças bonitas como quem admira uma espécie rara de borboleta com cores extremamente especiais e harmoniosas. Nunca serei como elas. No máximo serei dessas mariposas enormes que voam na noite e todo mundo teme. (Segue abaixo)
  • Nunca fui bonita e delicada. Sempre olhei as meninas de minha idade tão delicadas e frágeis em seus vestinhos rosa cintado e eu tão desengonçada nos jeans largos e camisetas. As achava tão lindas com suas conversas cheia de risinhos contidos e rostos que coravam de repente. Eu quando ria, e isso era raro como se eu tivesse vergonha do próprio riso, era uma gargalhada bruta com um tom de deboche pela vida. Elas passavam em grupos cheirosas compartilhando versinhos e segredos nos caderninhos decorados. Eu me escondia na escadaria da escola com algum livro que roubava das prateleiras altas da estante do meu pai. (Era lá que ficava, muitas vezes por detrás de uma outra pilha de livros, os proibidos, os que eu mais gostava de ler). Elas, as meninas bonitas, nunca gostavam de fazer trabalho de grupo comigo. E eu sempre acabava tendo que fazer sozinha com os meninos que não gostavam de estudar. O bom é que no final, tirávamos notas boas e os meninos que sem mim nunca tirariam aquela nota, numa forma de gratidão, me ensinavam a arte de andar pelas ruas sem medo e a bater em quem tentasse abusar de mim.
    E eu fui crescendo assim abrutalhada. Nunca soube andar de salto ou usar maquiagens. Nunca entendi de combinações de cores e usar preto é sempre minha maneira de não errar. Não sei decorar a casa. Tudo fica limpo, mas sempre há um livro, um caderno, um post it, uma caneta fora do lugar. A mim não incomoda, porque sei que meus pensamentos vêm num momento inesperado e não posso perdê-los na confusão que é minha cabeça. Também não sei vestir vestidos, o que para mim é o máximo da feminilidade, fico parecendo um desses bujões de gás que colocam capa. Eu sento de pernas abertas, sem postura e elegância. Sou toda atrapalhada e estabanada.

    E fico ollhando do meu mundo as moças bonitas como quem admira uma espécie rara de borboleta com cores extremamente especiais e harmoniosas. Nunca serei como elas. No máximo serei dessas mariposas enormes que voam na noite e todo mundo teme. (Segue abaixo)
  •  23  6  26 May, 2019

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  • Nunca fui bonita e delicada. Sempre olhei as meninas de minha idade tão  delicadas e frágeis em seus vestinhos rosa cintado e eu tão desengonçada nos jeans largos e camisetas. As achava tão  lindas com suas conversas cheia de risinhos contidos e rostos que coravam de repente. Eu quando ria, e isso era raro como se eu tivesse vergonha do próprio riso, era uma gargalhada bruta com um tom de deboche pela vida. Elas passavam em grupos cheirosas compartilhando versinhos e segredos nos caderninhos decorados. Eu me escondia na escadaria da escola com algum livro que roubava das prateleiras altas da estante do meu pai. (Era lá  que ficava, muitas vezes por detrás de uma outra pilha de livros,  os proibidos, os que eu mais gostava de ler). Elas, as meninas bonitas, nunca gostavam de fazer trabalho de grupo comigo.  E eu sempre acabava tendo que fazer sozinha com os meninos que não  gostavam de estudar. O bom é  que no final, tirávamos notas boas e os meninos que sem mim nunca tirariam aquela nota, numa forma de gratidão, me ensinavam a arte de andar pelas ruas sem medo e a bater em quem tentasse abusar de mim. 
E eu fui crescendo assim abrutalhada. Nunca soube andar de salto ou usar maquiagens. Nunca entendi de combinações de cores e usar preto é sempre minha maneira de não errar.  Não  sei decorar a casa. Tudo fica limpo, mas sempre há um livro, um caderno, um post it, uma caneta fora do lugar.  A mim não incomoda, porque sei que meus pensamentos vêm num momento inesperado e não  posso perdê-los na confusão que é  minha cabeça. Também não  sei vestir vestidos, o que para mim é  o máximo da feminilidade,  fico parecendo um desses bujões de gás  que colocam capa. Eu sento de pernas abertas, sem postura e elegância. Sou toda atrapalhada e estabanada.

E fico ollhando do meu mundo as moças bonitas como quem admira uma espécie rara de borboleta com cores extremamente especiais e harmoniosas. Nunca serei como elas. No máximo serei dessas mariposas enormes que voam na noite e todo mundo teme. (Segue abaixo)
  • Nunca fui bonita e delicada. Sempre olhei as meninas de minha idade tão delicadas e frágeis em seus vestinhos rosa cintado e eu tão desengonçada nos jeans largos e camisetas. As achava tão lindas com suas conversas cheia de risinhos contidos e rostos que coravam de repente. Eu quando ria, e isso era raro como se eu tivesse vergonha do próprio riso, era uma gargalhada bruta com um tom de deboche pela vida. Elas passavam em grupos cheirosas compartilhando versinhos e segredos nos caderninhos decorados. Eu me escondia na escadaria da escola com algum livro que roubava das prateleiras altas da estante do meu pai. (Era lá que ficava, muitas vezes por detrás de uma outra pilha de livros, os proibidos, os que eu mais gostava de ler). Elas, as meninas bonitas, nunca gostavam de fazer trabalho de grupo comigo. E eu sempre acabava tendo que fazer sozinha com os meninos que não gostavam de estudar. O bom é que no final, tirávamos notas boas e os meninos que sem mim nunca tirariam aquela nota, numa forma de gratidão, me ensinavam a arte de andar pelas ruas sem medo e a bater em quem tentasse abusar de mim.
    E eu fui crescendo assim abrutalhada. Nunca soube andar de salto ou usar maquiagens. Nunca entendi de combinações de cores e usar preto é sempre minha maneira de não errar. Não sei decorar a casa. Tudo fica limpo, mas sempre há um livro, um caderno, um post it, uma caneta fora do lugar. A mim não incomoda, porque sei que meus pensamentos vêm num momento inesperado e não posso perdê-los na confusão que é minha cabeça. Também não sei vestir vestidos, o que para mim é o máximo da feminilidade, fico parecendo um desses bujões de gás que colocam capa. Eu sento de pernas abertas, sem postura e elegância. Sou toda atrapalhada e estabanada.

    E fico ollhando do meu mundo as moças bonitas como quem admira uma espécie rara de borboleta com cores extremamente especiais e harmoniosas. Nunca serei como elas. No máximo serei dessas mariposas enormes que voam na noite e todo mundo teme. (Segue abaixo)
  •  23  6  26 May, 2019